No XXVII Simpósio Nacional de história, realizado em 2013 em Natal, no Rio Grande do Norte, Pedro Paulo Amorim, relata que:

Jean-Baptiste Roustaing nasceu em 15 de outubro de 1805, em Sègles, França. Fez advocacia e atuou entre os anos de 1848 e 1849 como ‘Bastonário’ (presidente) da Ordem dos Advogados de Bordeaux. Em 1853 tomou conhecimento dos, assim chamados, fenômenos das “mesas girantes e dançantes”, passando a frequentar as reuniões do grupo espírita do Senhor Sabò em Bordeaux em abril de 1861. E no mês de dezembro do mesmo ano, Roustaing foi apresentado à senhora Emillie Collignon, a médium que foi responsável por psicografar a obra Os Quatro Evangelhos , que teve sua primeira edição publicada em 1866. Em 2 de janeiro de 1879, morreu após uma longa moléstia, em Bordeaux, aos 73 anos de idade. (AMORIM, 2013, p. 1).

Alguns itens polêmicos sobre o conteúdo de Os quatro evangelhos

  • O corpo fluídico de Jesus;
  • A virgindade de Maria;
  • “O conceito segundo o qual somente espíritos culpados e decaídos animam os corpos é uma ideia católica, consequência da concepção do pecado original […], conceito em franca oposição ao entendimento espírita” (AMORIM, 2013, p. 7).

A chegada da obra de Roustaing ao Brasil, foi datada em1870.

“Diversamente do que afirmava Kardec, o Espiritismo seguiu seu caminho dividido em vários grupos e não como uma doutrina una” (AMORIM, 2013, p.3).

Com a morte de Kardec, em 31 de março de 1869, iniciou-se no seio do Espiritismo uma luta pela liderança do movimento na Europa, reproduzida também no Brasil, com divergências e competições pelo espólio moral do codificador […]. Na tentativa de consolidar a liderança dentro do Movimento Espírita e efetuar sua união, vários grupos espíritas foram fundados no Rio de Janeiro na década de 1870 mormente pelos kardecistas visando ao estudo exclusivo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” […]. Já nessa época, realizavam-se estudos no Brasil sobre “Os Quatro Evangelhos” […]” (AMORIM, 2013, p.4).

Durante o ano de 1879 a “Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade”, fundada em 1876, desmembrou-se em diversos grupos, nesse ano a sociedade transforma-se em “Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade”, de caráter eminentemente “científico” […]. Os “místicos” oriundos da sociedade se reorganizam em março de 1880, invocando a liderança do espírito Ismael, fundam a “Sociedade Espírita Fraternidade”. Porém, quatro meses depois ocorreu nova separação, quando Antônio Luiz Sayão fundou o “Grupo dos Humildes”, cujo programa era o estudo de “Os Quatro Evangelhos”. Posteriormente, em setembro de 1885, o grupo passa a se chamar “Grupo Ismael” ou “Grupo dos Estudos Evangélicos do Anjo Ismael”, mantendo o mesmo programa, sob a direção de Sayão e Bitencourt […]. No interior da “Fraternidade”, onde o estudo de “O Evangelho Segundo Espiritismo”, de Kardec, era obrigatório, ocorreu a mais antiga divergência entre kardecistas e roustainguistas, quando estes, após fracassarem na tentativa de imporem suas teorias, abandonaram a sociedade e foram para o “Grupo do Anjo Ismael” (AMORIM, 2013, pp.4).

O que Kardec falou sobre “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing:

– “Conseqüente com o nosso princípio, que consiste em regular nossa marcha pelo desenvolvimento da opinião, até nova ordem não daremos às suas teorias nem aprovação, nem desaprovação, deixando ao tempo o cuidado de as sancionar ou as contraditar. Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todo o caso, necessitam da sanção do controle universal, e, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita” (KARDEC, Revista Éspírita, junho de 1866).

“Para nós a opinião de um Espírito, seja qual for o nome que traga, tem apenas o valor de uma opinião individual; nosso critério está na concordância universal, corroborada por uma lógica rigorosa […]. De que nos serviria dar prematuramente uma doutrina como verdade absoluta se, mais tarde, devesse ser combatida pela generalidade dos Espíritos? Dissemos que o livro do Sr.Roustaing não se afasta dos princípios de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns” (KARDEC, Revista Espírita, junho de 1866).

– “Nossas observações assentam sobre a aplicação desses mesmos princípios à interpretação de certos fatos. É assim, por exemplo, que ele dá ao Cristo, em vez de um corpo carnal, um corpo fluídico concretizado, tendo todas as aparências da materialidade, e dele faz um agênere [aquele que não foi gerado]. Aos olhos dos homens que então não tivessem podido compreender sua natureza espiritual, deve ter passado em aparência, expressão incessantemente repetida no curso de toda a obra, para todas as vicissitudes da Humanidade. Assim se explicaria o mistério de seu nascimento: Maria não teria tido senão as aparências da gravidez. Este ponto, posto como premissa e pedra angular, é a base sobre a qual ele [Roustaing] se apoia para a explicação de todos os fatos extraordinários ou miraculosos da vida de Jesus” (KARDEC, Revista Espírita, junho de 1866).

“Sem dúvida nada há nisso de materialmente impossível para quem quer que conheça as propriedades do invólucro perispiritual. Sem nos pronunciarmos a favor ou contra essa teoria, diremos que ela é, pelo menos, hipotética, e que se um dia fosse reconhecida errônea, faltando a base, o edifício desabaria. Esperamos, pois, os numerosos comentários que ela não deixará de provocar da parte dos Espíritos, e que contribuirão para elucidar a questão. Sem a prejulgar, diremos que já foram feitas sérias objeções a essa teoria, e que, em nossa opinião, os fatos [da vinda de Jesus ao plano carnal] podem perfeitamente ser explicados sem sair das condições da humanidade corporal” (KARDEC, Revista Espírita, junho de 1866).

“Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-o apenas um Espírito superior, não podemos deixar de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado, por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre. […]. Como homem, tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com relação aos homens não derivava das qualidades particulares do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava de modo absoluto a matéria e da do seu períspirito” (KARDEC, A Gênese, 1868).

“Achamos que certas partes são desenvolvidas muito extensamente, sem proveito para a clareza. A nosso ver, se a obra se tivesse limitado ao estritamente necessário, poderia ter sido reduzida a dois, ou mesmo a um só volume, com isso ganhando em popularidade” (KARDEC, Revista Espírita, junho de 1866).

A influência de Arigó e
Chico Xavier para a história do Espiritismo

  • Zé Arigó
  • “O grande desafio de Arigó foi levar adiante o exercício de sua mediunidade e provar a comunicação com os espíritos numa época em que o preconceito estava arraigado de uma maneira abominável, em que o clero praticamente ditava as normas num país absolutamente católico e, ainda, num estado como o de Minas Gerais, onde a famosa tradicional família mineira tinha seu alicerce firmado numa sociedade conservadora, cheia de tradições, de normas e princípios religiosos que não permitiam a abertura para fatos que não condiziam com a Igreja” (OLIVEIRA, 2014, p. 166)

Chico Xavier  

De acordo com a revista Super Interessante de março de 2017,

“em 75 anos de trabalho, Chico Xavier conseguiu fazer do Brasil a maior nação espírita do mundo. Mais de 3,8 milhões de brasileiros se dizem seguidores da religião. Contando os simpatizantes, o número pula para 30 milhões. Esse talvez seja o principal legado do médium no Brasil: tornar a religião acessível, conhecida e respeitada” (Super Interessante, 2017).

Qual é o papel do jovem espírita na atualidade?

O que a FEB diz sobre o papel do jovem?

“Para se reviver o Evangelho de Jesus em suas feições mais profundas, há que se criar e manter Juventudes/Mocidades Espíritas como espaços sadios de convivência, aprendizado e ação para os jovens. Investir e acreditar nos jovens é um meio eficaz de garantir a continuidade das ações do Movimento Espírita e o futuro do Espiritismo.

A Doutrina Espírita, desde sua origem, contou com a participação dos jovens: Entre os médiuns que atuaram com Allan Kardec no início da elaboração das obras da Codificação, destacam-se as jovens Ruth Celine Japhet e as irmãs Caroline e Julie Baudin. Contemporâneos e seguidores de Kardec tiveram papel destacado desde a juventude: Camille Flammarion, Gabriel Delanne e Léon Denis. Nas primeiras décadas do Movimento Espírita brasileiro houve histórica atuação do vice-presidente e presidente da FEB, Leopoldo Cirne, Eurípedes Barsanulfo e Francisco Cândido Xavier” (FEB, 2014).> “DIRETRIZES PARA AÇÕES DA JUVENTUDE ESPÍRITA DO BRASIL”.

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